segunda-feira, 14 de novembro de 2011

o labirinto


Podemos acreditar que Ofélia morreu sozinha e triste às mãos do seu odioso padrasto. Parece que foi isso que aconteceu... e faz sentido, não faz? Mas também podemos acreditar que ela era mesmo uma princesa (imagine-se) e governou benevolamente durante séculos e séculos ao lado dos seus pais num reino de magia, sempre com os seus sapatinhos bonitos e confortáveis.

Como em tudo na vida, é tudo uma questão de perspetiva. Eu acredito na segunda opção.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

para o universo


Ouvi dizer (e li) que o Universo está sempre à escuta e basta pedir, que ele dá. Ultimamente tenho confirmado esta teoria, aparentemente absurda e irracional, mas tão boa. E é tão bom e tão estranho para mim pôr a racionalidade de lado uns segundos por dia.

Por isso cá fica uma lista das coisas que quero lá para casa e que vão acabar por lá aparecer:
  1. Janelas novas (está quase)
  2. Cómoda dos anos 70, para o mega hall que brevemente será um closet (mas que fino)
  3. Sapateira, tapete e candeeiro para o mesmo espaço 
  4. Bengaleiro de parede
  5. Móvel para substituir a mesa de cozinha (essa coisa tão inútil - não, mas preciso de espaço de arrumação)
  6. Móvel de casa de banho
  7. Um tampo de sanita novo
  8. Caixas, prateleiras e coisas que tais para organizar a dispensa
  9. Uma mini secretária para substituir a mesa do quarto
  10. Um scottish fold
Olha um post "fútil"... mas o blogue é meu e publico o que quiser. Tão bom e curiosamente, também tão estranho.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

sobre a essência

"Somos aquilo que fazemos" - sempre ouvi dizer. Mas será que isto não é simplificar um bocado a coisa? Quando nos perguntam quem somos, temos tendência a responder "sou polícia, tenho 39 anos, sou pai de 2 filhos"... ok, eu não responderei isto com certeza. Regra geral, somos um conjunto de estatutos que correspondem a um conjunto de papéis que temos de desempenhar. 

Mas o que restaria, se nos tirassem tudo isso? O que é que resta quando pomos de lado o trabalho, as qualificações, os gostos pessoais, os hobbies? O que é que fica para além do tempo, do país, da nacionalidade?

Quem somos nós?

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

o que vos mantém unidos

Esta semana disseram-me algo que me deixou a pensar... nunca tinha pensado nisso e é mais uma verdade básica daquelas que nós até sabemos mas nunca parámos para refletir sobre ela.

O que mantém uma relação nem sempre é o amor entre duas pessoas. Falo daquilo que mantém uma relação ao longo de meses, anos, uma vida... e não daquilo que nos leva a iniciar uma relação. Por vezes é o estatuto, por vezes o trabalho de cada um, noutras vezes são as vantagens que cada um tem para oferecer ao outro, o envolvimento familiar... e às vezes um destes fatores é suficiente para que uma relação faça sentido e se mantenha a vida toda. Então e o amor? Desde que a relação possa ser explicada, justificada racionalmente por fatores como os que antes descrevi, não se pensa muito nisso do amor. Se a relação faz sentido, é implícito que o amor lá ande, algures. E isso torna as coisas muito mais simples. Não digo que seja certo ou errado manter a relação por que motivos for (há motivos mais certos que outros, convenhamos), mas então e o que aconteceu ao amor?

Manter uma relação por amor, fará sentido?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

mulheres que amam demais


Uma relação verdadeiramente horrível tem a mesma função que uma droga potente.

As mulheres que amam demais são aquelas que acreditam que, se fizerem tudo o que estiver ao seu alcance pelo homem com quem estão, ele irá finalmente amá-las de volta e modificar-se, pelo bem da relação. São aquelas que acreditam que o sofrimento que têm é diretamente proporcional ao amor que sentem e que, se sofrem tanto, é porque ele é de certeza absoluta o homem certo. E assim vão tolerando mais e mais, na esperança de que as coisas mudem se forem suficientemente compreensivas. Os amigos perguntam-lhe "mas como é que tu aguentas isso?" e os conhecidos perguntam-se "mas como é que ela anda com aquele?". E nem elas conseguem explicar porque amam tanto uma pessoa que lhes dá tão pouco ou que, em certas ocasiões, as trata tão mal.

Também eu pensava que não havia uma explicação para isso e esse pensamento estava a dar comigo em doida. Seria eu maluca, burra, irracional? Porque é que, depois de tudo o que se passou, ainda amo tanto? Mulheres que Amam Demais, de Robin Norwood, é um estudo de centenas destes casos e nas suas páginas encontrei a explicação. Agora, é tudo tão racionalmente justificável... que é quase uma desilusão. O que eu pensei ser um grande amor (doentio, é certo, mas amor) afinal pode ser explicado por factores reais, quase palpáveis, que têm a ver com o meu passado e com o passado dele. E vemos que o arquiteto louco afinal se limitou a juntar duas peças de um puzzle - eu e ele - uma noite num café, e que o trabalho de encaixe foi todo, todinho, feito por nós.

Este livro ajudou-me a perceber que às vezes nós encontramos pessoas para as quais fomos verdadeiramente talhadas: as nossas almas-gémeas ou caras-metade. Não tenho dúvida absolutamente nenhuma de que ele e eu fomos talhadinhos um para o outro, em termos emocionais. E de que, com um ajuste aqui e ali (nomeadamente com mais uma cedência da minha parte, a única que não fiz, ou da parte dele, que também não a fez) teriamos mesmo ficado "juntos para sempre".Daí que agora o desencaixe se torne tão doloroso.

Mas ajudou-me também a perceber que as mulheres que amam demais têm o chip trocado e precisam de fazer reboot ao sistema. Desaprender tudo aquilo que a infância lhes ensinou e adquirir novos hábitos - os hábitos de uma relação saudável, onde não amem demais.

Aprender que devemos fugir do que nos faz mal e a cultivar o que nos faz bem parece tão fácil... mas é uma tarefa hercúlea para quem desde muito cedo teve de se habituar a que o Mal não era assim tão mau e também se habituou tão pouco ao Bem que agora... não se sente confortável com ele.

As mulheres que amam demais normalmente, se não podem amar demais, então não amam de todo. Ou seja, é difícil sentirem-se atraídas por um homem que as valorize, mime e que se mostre carinhoso - esses são vistos como enfadonhos e fracos. Pelo contrário, quando encontram um homem frio, distante, que represente um desafio, ou independentemente das suas características específicas, um homem com o qual possam reviver uma relação a que assistiram ou que viveram na infância, sentem-se como que fulminadas por um raio. E sentem-se muito, muito confortáveis, por mais horrível que seja para as pessoas de fora. Porque estão habituadas, foram habituadas a isso.

Este livro aborda a questão com muitos mais detalhes que não posso explorar aqui e contém a explicação da citação que pus no início deste post. O livro mostra-nos porque valorizamos tanto os amores desesperados atualmente e menosprezamos ou consideramos "mornas" as relações com base noutros princípios que não a paixão desesperada. Este livro ajuda-nos a perceber porque é que nos sentimos tão atraídas por aquela pessoa e porque é que ela se sentiu tão atraída por nós. Ajuda-nos a perceber o que podia acontecer caso a pessoa, finalmente, mudasse. Ou caso nós fizéssemos a derradeira cedência. E o que é realmente preciso para que um casal que ama demais transforme uma relação de dependência mútua numa relação saudável. E como podemos fazer reboot ao sistema, para que possamos começar a apreciar o Bem e sentir aquilo que é suposto sentir-se na presença do Mal - não prazer nem conforto nem familiaridade, mas sim repúdio.

Se conhecem alguém que ama demais (homem ou mulher), ofereçam-lhe este livro. A pessoa pode não acreditar nos chamados livros de "auto-ajuda" (eu também não acredito) e achará certamente que a sua relação "não é tão má" como aquelas que são retratadas no livro, mas peçam-lhe que leia apenas o Prefácio e depois logo decidem se continuam ou não.

Mal não faz... e também, se fizer... nós até gostamos.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

my only friend, the end (pt II)


Há momentos estúpidos na vida de uma pessoa. Por exemplo, estar no trabalho, a fazer força para nos concentrarmos e ignorarmos o monstro que grita cá dentro, e de repente surgir-nos uma imagem na cabeça: um pequeno filme.

Recebemos uma chamada - era ele. "Vem cá fora". Olhamos pela janela e vemos uma pequena confusão à entrada. Um cavalo branco, um ramo de flores, ele despojado de orgulho e carregadinho de reconhecimento; a Verdade inundou-o finalmente e agora sai-lhe por todos os poros.

Vejo os nossos amigos, os nossos familiares, os nossos colegas. E fica tudo bem, porque fica tudo provado ali, naquele momento. Não há dúvidas nem há argumentos. Nem tem de haver. Como uma tempestade que rebenta depois de um dia de calor infernal, não temos de pedir desculpa nem justificar nada a ninguém. Simplesmente somos, para sempre.

Há momentos mesmo muito estúpidos na vida de uma pessoa.

domingo, 28 de agosto de 2011

o amor é

Ultimamente faço listas de coisas para não me esquecer. Listas de coisas básicas que eu pensava que sabia de forma inata, mas que afinal não. Por isso cá está uma lista essencial (sem ordem específica) que pode ser trazida a público, de coisas que aprendi com as relações que me rodeiam e não só. Convém não esquecer como se caracteriza, universalmente, uma boa relação.

Hoje disseram-me que metade do mundo anda à procura da outra metade. E eu quero saber o que procurar daqui para a frente. O que é inaceitável acho que já aprendi.

  1. Poder dizer "amo-te" quando nos apetece, sem medo que a pessoa desate a correr e sem pensar que lhe estamos a dar poder para nos magoar.
  2. Decorar uma casa em conjunto e resolver os problemas caseiros (como chaves deixadas dentro de casa ou um gato adulto a quem lhe deu para começar a fazer xixi no chão) em conjunto.
  3. Saber o que oferecer no dia de anos, no Natal e de vez em quando ao longo do ano, sem ter de perguntar, mas apenas porque prestámos atenção.
  4. Sentir orgulho da pessoa que temos ao lado, daquilo que alcançou na vida e das atitudes que tem.
  5. Olhar para a pessoa e transmitir-lhe o que estamos a pensar sem ter de dizer nada.
  6. Dormir sempre na mesma cama, seja abraçadinho no inverno ou só com um pé a tocar no outro no verão.
  7. Estar deitado a ler antes de dormir. Ou ler um para o outro.
  8. Ir a um festival de Metal pesado connosco, mesmo quando se gosta de rock antigo.
  9. Chegar a casa e ter um jantar feito de vez em quando.
  10. Gostar do mesmo tipo de pipocas no cinema.
  11. Cumprir promessas, sejam elas de amor ou outras quaisquer.
  12. Ser fiel e transparente, sempre verdadeiro.
  13. Ter uma música "nossa" que não seja a "Love the way you lie", nem a "Bleeding Love", nem a "Rolling in the Deep".
  14. Pôr o outro em primeiro lugar nas alturas em que isso é preciso.
  15. Ir passear de mãos dadas sem objectivo específico e sem que isso seja um frete.
  16. Ter vontade de ir para casa connosco depois de uma noite de copos, e não de ficar lá a fazer sabe deus o quê com os amigos.
  17. Ensinar e aprender coisas novas.
  18. Dar na mesma medida em que se recebe.
  19. Aparecer um dia num cavalo branco, com rosas vermelhas e um sorriso.
  20. Ser uma ajuda e um apoio constante, ser o nosso melhor amigo.
  21. Tornar a nossa vida mais fácil, em vez de a dificultar. Acrescentar vantagens, não problemas.
  22. Ter respeito e lucidez nas discussões que às vezes são inevitáveis e saudáveis.
  23. Cuidar da relação, não porque "tem de ser que isto está muito mau", mas sim porque se gosta.
  24. Cometer loucuras para o lado do bem e nunca para o mal.
  25. Acompanhar-nos ao consultório médico.
  26. Dar apoio quando os nossos familiares estão mal e nós sofremos com isso.
  27. Ficar, lutar, estrebuchar pela pessoa com quem queremos mesmo ficar. 
  28. Afastar firmemente os terceiros que possam vir a ser fonte de problemas. Não dar espaço a mal entendidos.
  29. Reconhecimento e gratidão.
  30. Não querer mais ninguém, nem sequer ter interesse.
  31. Reconhecer possíveis erros e não deixar que o orgulho nos impeça de pedir desculpa.
  32. Dar uma segunda oportunidade, mas não precisar de uma terceira nem quarta.
  33. Conhecer o endereço do nosso blog de cor e ler o que escrevemos.
  34. Poupar dinheiro em conjunto para viagens a dois. E ir.
  35. Poder dizer à pessoa que estamos muito, mas mesmo muito tristes, na certeza de que ela  não achará que estamos a "fazer filmes" e muito menos se rirá de nós.
  36. Poder dizer que estamos desiludidas, na certeza de que não seremos vistas como "umas chatas".
Algo a acrescentar?