Li hoje acerca de uma nova rede social, a Dead Social, que permite agendar mensagens de forma a que sejam publicadas no nosso perfil do Facebook depois de morrermos. Para que nada fique por dizer! podia ser o slogan da coisa Uma ferramenta genial, para alguns, mas que levanta uma série de questões éticas... vejamos.
Em primeiro lugar, se a plataforma for usada para fins menos simpáticos, nem imagino a quantidade de traumas que pode vir a suscitar. Por exemplo, não seria agradável à Julieta ver uma mensagem póstuma de Romeu que dissesse "Nunca te amei, és uma chata e só andava contigo pelo dinheiro dos Capulet." Ou "A tua irmã é muito boa", ou "Fui eu que matei o teu piriquito", ou coisas igualmente escabrosas. Quero com isto dizer que há segredos que devem mesmo ir connosco para a campa... e de repente ter a possibilidade de libertar o caos na vida dos que cá ficam, sem ter de lidar com as consequências e à distância de uns quantos cliques, parece-me... errado.
Depois, temos a tão frequente questão do roubo de identidade. Ora imagine-se que a Maria Joaquina morria e tinha deixado preparada uma mensagem de amor para os seus netos. Mas ignorava o facto de que a sua rival, Maria Antónia, já tinha conseguido aceder à sua conta e alterado o texto para uma série de barbaridades... Nada bonito.
E ainda há a questão da garantia de satisfação do serviço. Quem nos pode garantir que a mensagem será, de facto, entregue e em boas condições, se o autor da mesma já não está entre nós? Segundo o que li, o site permitirá aos familiares/amigos do falecido "desbloquear" as mensagens, depois da sua morte. Mas... quem nos garante que foi mesmo aquilo que ele escreveu? E se alguém se lembra de desbloquear a coisa antes do tempo e gera o pânico entre os que desconhecem o erro?
Enfim, toda a ideia me parece grotesca, macabra, mas também é verdade que pode ser uma forma interessante de nos eternizarmos. Ou não. Não sei, o que acham?