quarta-feira, 6 de maio de 2009

why so angry? you're so lucky... lucky girl

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Hoje no autocarro entrou uma senhora gorda que parecia o Herman José vestido de senhora. Tal e qual. Usava demasiada roupa para o calor que estava e tinha uns óculos de lentes muito grossas que lhe faziam os olhos pequeninos.

Apesar dos dois ganchos, que lhe seguravam o cabelo à frente num apertado risco ao meio, tinha uma madeixa da franja colada à testa. Afastou-a com a mão sapuda, ao mesmo tempo que, sentada junto à janela, se embalava exageradamente ao sabor dos solavancos da estrada, numa espécie de dança grotesca.

Mais à frente, vi pelo caminho uma carruagem à antiga, daquelas com turistas. Era puxada por um cavalinho de pelo castanho e sedoso que trotava alegremente, as suas patas cobertas de pelo comprido, mais escuro.

Foi o que me valeu.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

untitled

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Hoje a caminho do emprego, reparei num homem sentado num alpendre. Estava de calculadora na mão, a olhar para os resultados, e dizia com ar incrédulo: «Não pode ser, está errado!».

terça-feira, 7 de abril de 2009

o reinado do parecer




Hoje em dia não só só as estrelas de TV que fazem da sua vida um acontecimento público. Qualquer um de nós pode ser "seguido" no Twitter, ou numa outra comunidade on-line.
De início é divertido. Mas cedo nos apercebemos de que não temos apenas uma manada de fãs que vibram com o upload de uma foto nossa. Cedo nos apercebemos de que também temos um ou outro olhar mesquinho pousado sobre as nossas "vidas".
É então que a realidade dá lugar ao teatro. E quando a vida corre mal optamos por passar meses sem escrever no blog. E o nosso status passa a ser "Fabuloso :D" 365 dias por ano, mesmo que estejamos a arder por dentro.
Ou seja, as comunidades virtuais são apenas mais um veículo para mentirmos aos outros sobre aquilo que somos. Hão de ser sempre nada mais que uma fotografia manipulada no Photoshop. Mais uma forma de alimentar o reinado do parecer. E outra de negar o do ser.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

amanhã o vazio

the_forgotten

É curioso verificar que algumas vidas se resumem a:

. bolos com creme

. ténis

. cor-de-rosa


E quando a velhice chegar?

Sim...

Porque ela vai chegar.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

10 motivos pelos quais a minha vida é um espectáculo

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Porque vale sempre a pena relembrá-los e agradecer sabe-se lá a quem por tudo isto.
  1. Tenho pais que me adoram, apoiam, incentivam e desafiam.
  2. Sinto-me segura, feliz e quentinha no meu quarto. É um refúgio mesmo quando o mundo parece ruir lá fora.
  3. Tenho imensos amigos. Contei o meu desgosto a... pelo menos 12 pessoas e nem uma delas me interrompeu, ou não quis saber. Todas me ouviram, compreenderam, apoiaram e deram força. Obrigada.
  4. Os meus amigos mais próximos são BONS amigos. Posso contar com eles e eles podem contar comigo.
  5. Sou capaz de ir ao cinema sozinha e não me sentir deprimida. Pelo contrário, sinto-me independente e feliz.
  6. Sempre que tenho fome, abro o frigorífico ou o armário e tenho lá comida.
  7. Sempre que tenho frio, ligo o aquecedor. Se tenho calor ligo o ar-condicionado.
  8. Posso comprar praticamente tudo o que me apetecer e, no entanto, não sinto necessidade de fazê-lo de forma tresloucada.
  9. Adoro o meu trabalho. É perto de casa, tem um ambiente excelente e foi lá que conheci o meu melhor amigo.
  10. Estou consciente das minhas qualidades, conheço-me bem e gosto muito de mim.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

my only friend, the end

you broke it

Há momentos estúpidos na vida de uma pessoa. Como aquele momento em que vamos a andar no shopping, como se nada se passasse cá dentro, a fazer tudo por acreditar que está tudo bem connosco, e damos por nós a ter uma fantasia ridícula. O pensamento de que vai aparecer alguém, não se sabe de onde, e vai levar-nos a mala com um puxão que quase nos deixa estateladas no mármore. Quase. Porque nesse preciso momento, ele aparece. Aparece também sabe-se lá de onde, como se tivesse estado sempre lá, à espreita, a ver se alguém nos faria mal. Ele aparece e salva-nos! Corre atrás do ladrão, recupera a mala e depois volta para junto de nós e somos felizes para sempre. Há momentos estúpidos na vida de uma pessoa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

oh tempooo volta pra trááás

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No início há flores, jantares românticos, sorrisos idiotas, palavras carinhosas, passeios à beira mar. Mais lá para a frente surgem os primeiros solavancos e, se correr mal, azeda de vez.

Este era o percurso normal, achava ela.

Então, o que acontece quando, no início, não há nada? Não há prendas, não há promessas de amor impulsivas, não há a ânsia de se estar sempre juntinho, não há idas ao cinema, não há boas surpresas... nada. Mas depois, passados uns bons meses, isso começa a aparecer, devagarinho. Ele tapa-a com cobertores quando está frio e chama-a biscoito.

"Agora? Mas... eu agora já me tinha convencido de que isto não era sério. E.. e.. já me tinha mentalizado de que eras uma pedra.. e que não havia qualquer ligação entre nós... Agora? Eu já criei a carapaça protectora, que activei repetidamente, de todas as vezes em que dei e não recebi nada... eu pousei a picareta que usei todos os dias na tentativa de quebrar a parede e chegar a ti... eu aprendi a desligar.. eu endureci. Não sei se quero correr o risco de amolecer e mais tarde ser esmagada outra vez."

Será que ainda vai a tempo?

Eu sei que as pessoas têm ritmos diferentes, mas isto é ridículo.