quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Declarações de amor todos os dias
Eu disse-lhe que este texto devia ser lido por toda a gente. Devia ser incluído no programa de ensino de Português (A e B, para não deixar de fora os alunos de ciências, que bem precisam) do 10º ano. Devia ser a mensagem de ano novo do Presidente da República! Devia ser transformado em conto de fadas, daqueles com uma moral no fim, e contado pelas mães e pais aos filhos antes de eles adormecerem. E transformado em romance, para os filhos oferecerem aos pais, quando fizessem anos de casados. Este texto é obrigatório para todos os que pretendem, um dia, ser felizes no amor.
Por isso acho bem que o leiam. Aqui e agora.
Por isso acho bem que o leiam. Aqui e agora.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
sobre aqueles que desaparecem
O ano passado foi fértil em amizades que deram para o torto. Uma devido a incompatibilidades tardiamente reveladas, outra devido à intolerância, outra devido não sei bem a quê.
Das três que partiram, terei saudades apenas desta última. As outras duas só me deixaram memórias desconfortáveis e alguns arrependimentos. Esta última não.
Lembro-me de que tudo começou com a prenda de anos do ancião. Depois lembro-me de uma loja na Baixa com "tchá" e perucas e chapéus, da busca incessante por um G. I. Joe, de uma tempestade lá longe que resultou num guarda-chuva em pedaços, de um banho inesperado no Tejo que implicou uma ida estratégica aos chineses para comprar calças (e até cuecas) novas, de uma língua que acabava sempre em "e", dos bilhetinhos e mensagens secretas, dos pacotes Nicola, das private jokes, dos ovos Kinder, dos filmes "crackades", de um desmaio no cinema, de um vídeo com uma música sobre (again) guarda-chuvas, das corridas no Mario Kart, dos regressos no comboio naquele sítio ao pé da porta, do Pyramid, do "we've only just begun", da banda sonora mensal (PAM PAM PAM PAMMMMM) que já ninguém podia aturar, de um mergulho urgente para debaixo da mesa no mexicano... e de outras tantas coisas de que eu gostava de me lembrar mas já nem sei. Acima de tudo, lembro-me do sorriso que tinha (mesmo que não na cara) todas as manhãs em que ia trabalhar.
Claro que também me lembro da "Verdade sobre Cães e Gatas", da desilusão que foi pensar que afinal não éramos amigos, só o éramos porque havia uma hidden agenda da outra parte e dos tempos esquisitos que essa revelação suscitou. Mas hoje não me apetece lembrar-me dessa parte.
Eu sei que há coisas que se perdem e há coisas que duram. Mas esta amizade cessou sem um adeus, obrigado, até à próxima. E sem um nunca mais te quero ver. Sem nada. E não devia ser assim. Os amigos têm direito, pelo menos, a uma despedida.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
livro de colorir
Apetecia-me escrever uma história sobre uma rapariga que todos os dias ia para o emprego com o coração cinzento, num comboio cinzento, sentada num banco cinzento, debaixo de um céu cinzento. Talvez um dia eu escreva sobre o que ela fez, uma manhã quando chegou ao emprego e se olhou ao espelho e viu que a sua pele também se estava a tornar cinzenta. Pois o cabelo já tinha começado, meses antes, a ficar cinzento. Ela sabia que um dia ia acabar por se fundir com as paredes forradas de fotocópias a preto e branco, amigas do ambiente. E passaria em frente a essas paredes como que camuflada, sem ninguém dar por ela. Por isso é que ela fez aquilo. Teve de fazer.
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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Às vezes...
...esqueço-me de que o príncipe encantado não existe. E sempre que isso acontece, é muito mau.
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
she's got something you can never eat

Sempre que se aproximava o fim do ano, ele sentia-se como se estivesse a descer uma encosta a alta velocidade. Ou como se estivesse a fazer uma viagem de carro, sentado no banco de trás, enquanto ouvia música nos headphones como antigamente.
Os dias 28, 29, 30... a passar cada vez mais depressa... apenas para colidir numa repetitiva explosão de fogo de artifício, champagne e passas comidas de uma vez só, porque ele nunca se lembrava de acompanhar as doze badaladas.
Mas este ano a espiral parecia mais apertada, a descida mais íngreme... e quando olhava para o banco da frente via que ninguém ia a conduzir o carro.
Desde a partida dela, tão súbita e inexplicável e injusta, que ele passava a mão pela alma e não encontrava um espaço que não fosse rugoso, que não cheirasse a ferrugem e não soubesse a metal.
A vertigem do fim de ano fora antes um friozinho na barriga; agora era um buraco no estômago. E algo difícil de definir remexia-se dentro dele, um monstro que ele preferia não nomear, que deixava sempre para trás na viagem mas, mais cedo ou mais tarde, voltava a ver pela janela, à beira da estrada.
Todos os anos ele acreditara que ia ser diferente. Mas este ano já não. Percebeu que estava a andar em círculos. Mas não queria sair, não queria mudar. E ninguém me pode obrigar.
Então rezou para morrer no espaço, ou coberto de neve. Para ser transportado para um lugar silencioso e frio. Porque assim não sentia a diferença de temperatura.
E no fundo resumia-se a isso: não sentir. Esquecer o carro, a vertigem, a espiral. E, principalmente, não sentir falta da maçã vermelha que um dia segurou na mão. E que deixei partir.
Os dias 28, 29, 30... a passar cada vez mais depressa... apenas para colidir numa repetitiva explosão de fogo de artifício, champagne e passas comidas de uma vez só, porque ele nunca se lembrava de acompanhar as doze badaladas.
Mas este ano a espiral parecia mais apertada, a descida mais íngreme... e quando olhava para o banco da frente via que ninguém ia a conduzir o carro.
Desde a partida dela, tão súbita e inexplicável e injusta, que ele passava a mão pela alma e não encontrava um espaço que não fosse rugoso, que não cheirasse a ferrugem e não soubesse a metal.
A vertigem do fim de ano fora antes um friozinho na barriga; agora era um buraco no estômago. E algo difícil de definir remexia-se dentro dele, um monstro que ele preferia não nomear, que deixava sempre para trás na viagem mas, mais cedo ou mais tarde, voltava a ver pela janela, à beira da estrada.
Todos os anos ele acreditara que ia ser diferente. Mas este ano já não. Percebeu que estava a andar em círculos. Mas não queria sair, não queria mudar. E ninguém me pode obrigar.
Então rezou para morrer no espaço, ou coberto de neve. Para ser transportado para um lugar silencioso e frio. Porque assim não sentia a diferença de temperatura.
E no fundo resumia-se a isso: não sentir. Esquecer o carro, a vertigem, a espiral. E, principalmente, não sentir falta da maçã vermelha que um dia segurou na mão. E que deixei partir.
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