terça-feira, 6 de julho de 2010

ocultar é viver?

Old pic by me.




Este post contém spoilers sobre O Sexo e a Cidade 2.






A propósito do fatídico encontro entre a Carrie e o Aidan, a propósito de todas as histórias que se ouvem e em alguns casos se vivem e ainda a propósito de alguns arrufos recentes, importa colocar a seguinte questão:

Numa relação saudável, que quantidade de informação (se é que alguma) deve ser ocultada da nossa cara-metade?

A Carrie optou pela honestidade, contra os conselhos das amigas e de forma um bocadinho impulsiva. O que ganhou com isso? Um anel caríssimo quando chegou a casa.

Na vida real isto não acontece. Depois de uma traição, é maior a probabilidade de se levar uma lambada do que a de receber um anel... Mas também é maior a probabilidade de se ocultar a traição, do que a de a revelar imediatamente, ou não?

Mas mais do que falar de traições um dia talvez escreva sobre elas, o que me intriga mesmo são aquelas pequenas coisas que se ocultam no dia-a-dia. Um jantar com uma velha amiga, um almoço com um colega, um copo com outro/a. Eventos inofensivos, mas que, quando revelados, podem criar problemas na relação.

Nessas alturas, o que fazer? Será mais aconselhável falar abertamente sobre tudo o que fazemos, mesmo que isso possa gerar injustificados ataques de ciúmes? Ou antes ir ocultando este e aquele acontecimento que, por nos parecer insignificante, acreditamos ser melhor que nunca veja a luz do dia?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

estamos todos a morrer


Campas visitadas e tragicomédias na Comuna serviram para me lembrar mais uma vez de que daqui a uns anos na melhor das hipóteses porque destas coisas ninguém sabe estamos todos a fazer tijolo. Principalmente quando a campa nunca tinha sido visitada antes, em quase 20 anos, e quando lá chegamos temos a sensação de que já fomos tarde, ele já partiu e, mais uma vez, não houve adeus nem pedido de desculpas.

O que acontecerá nesse momento em que fechamos os olhos? Será uma eternidade de vazio, um sono sem sonhos, não confortável mas dormente, a ausência de tudo, o nada, o nunca... para sempre? Ele contou à minha mãe que viu um túnel e uma luz lá ao fundo, quando teve um dos acidentes. Será que é mesmo assim? Espero que sim.

E espero que continuemos eternamente, sob uma forma qualquer, que haja qualquer coisa, que tudo isto não seja um enorme desperdício. Porque é isso que me faz confusão: tantas emoções, tantas experiências, tantas memórias, tantos sabores, construções, histórias, avanços e retrocessos, tantas lições... e para quê? Para depois acabar tudo num nada infinito, desperdício eterno?

Custa-me a acreditar que assim seja. A natureza é demasiado perfeita para tamanho absurdo. Tudo se recicla, até nós how they survived so misguided is a mistery aprendemos a reciclar, como o chimpanzé do anúncio. As almas também têm de se reciclar, só pode.

Mas agora com a clonagem e coisas que tais tudo fica mais difícil... será que um ser fabricado geneticamente tem alma? Isso veio complicar tudo na minha cabeça, ainda mais.

E outra coisa que me faz muita confusão é ver e viver que há pessoas como eu que perdem tempo a pensar nisto, neste dilema que nunca há de ter resposta. Nunca. Mas pensam e repensam na morte, todas as semanas. Na sua morte, na morte da mãe, na morte do pai, na morte do cão, na sua morte outra vez. E pensam no medo e têm medo mas felizmente já não têm medo de ter medo.

E sentem-se idiotas por estar a perder tempo da sua vida... a pensar na morte.

sábado, 17 de abril de 2010

sobre a força das mulheres


(photo by me)


Há tempos vi um post no mural de uma amiga minha, a queixar-se do aspecto de "prusti freak" e de "prusti fat-ass desconjuntada" de duas cantoras que se uniram recentemente numa música sobre a chatice que é ter de atender o telemóvel quando se está a dançar na discoteca.

Letra da música à parte, isso pôs-me a pensar (isto é um bocadinho "à Carrie Bradshaw", mas eu gosto): essas duas cantoras representam, para muitas adolescentes (e não só), o protótipo da mulher moderna. Não são o que "devíamos" ser mas são, no fundo, o que gostaríamos de ser: fortes, independentes, com um espírito livre (cause I'm a free bitch baby!)... mas também... com ar de prostitutas?

Estará a força das mulheres de hoje ligada apenas à sua capacidade de sedução? Que é feito da inteligência, ambição, espírito visionário...? Porque é que as mulheres que mostram esses atributos tendem a ser vistas como um pouco masculinas? E quais serão os sentimentos das mulheres em relação a esse estereótipo de "mulher livre = mulher libertina"? Não gostaríamos nós de nos rever em imagens menos "prusti"?

Vivemos numa era em que, mais que nunca, o sexo vende. E se vende, os homens compram. Mas não estaremos nós a vender barato?

Este tipo de poder feminino é, na verdade, uma ilusão de poder. Porque implica sempre um certo "esforço" para o concretizarmos. A não ser nos casos em que a mulher é naturalmente deslumbrante, esse esforço concretiza-se em dietas, tratamentos anti-celulite, horas no solário e outras tantas em frente ao espelho, com a base a entupir-nos os poros, o enrolador de pestanas a entalar-nos as pálpebras, o rimel a furar-nos um olho e o alisador de cabelo a queimar-nos a testa!

Este tipo de poder é, na verdade, outra forma de escravatura. Mas poderemos nós fugir-lhe?

segunda-feira, 29 de março de 2010

renego mais que tudo


(photo by me)


Refiro-me à cambada de acéfalos vestidos de preto que veneram uma estética vazia e desligada da vida real, enraizada na figura do grande Opositor, mas incapazes de fazer oposição seja a o que for.

De olhos fechados mas ouvidos bem abertos, gostam de chocar tudo menos novas ideias. Parados no tempo, acusam de "vendidos" ou "banais" a quem prefere deixá-los para trás. Maniqueístas devotos, dependem daquilo que contestam para dar algum sentido à sua "causa".

Acontece que o que eles contestam está morto desde 1888 e o que Dele resta agora é uma organização hipócrita, de pedófilos, ricos e mentirosos, que se arrependem dos seus pecados com alguns séculos de atraso. Mas não faz mal porque o arrependimento é a chave para os portões do Paraíso, ainda que só aconteça minutos antes de darmos o nosso derradeiro suspiro.

E o que resta podia ser contestado, há formas de o fazer. O seu representante máximo vem a Portugal em Maio, mas quando proponho um protesto num fórum mesmo mesmo trve, mandam-me "comer merda às colheres" e brincam com o assunto, dizendo que até "gostam de papa"...

E então eu pergunto-me: será que as vítimas também gostaram da "papa"?

Por isso, renego-vos. A todos que empregam os símbolos em vão e que acham que parecer do contra é suficiente. Não preciso de vocês, não preciso dos vossos ajuntamentos, não preciso da vossa estética gasta e aborrecida, nem preciso das vossas mentes medievais. Sim, medievais com sentido pejorativo. Irritem-se à vontade. Julgam-se ovelhas negras e na verdade são... um rebanho delas.

Assim, e salvo honrosas excepções: adeus.

quinta-feira, 11 de março de 2010

I'm lovin it



Quando comemos no McDonald's e passamos a noite a vomitar, ficamos sem poder ver hambúrgueres à frente. Isso não quer dizer que já não gostemos de McDonald's, significa apenas que precisamos de algum tempo para superar o trauma daquela noite que passámos agarrados à sanita.

Passadas algumas semanas, começamos a pensar "ah, mas as batatas fritas são tão boas... e como é que eu vou viver sem os sundaes de chocolate com bolacha?". Até que um dia, pronto, dão-nos um folheto, um folheto fantástico daqueles com folhinhas para rasgar que correspondem a descontos... ficamos espantados com tão generosa atitude e decidimos: "vou dar uma nova oportunidade ao McDonald's!".

Então lá vamos nós, com um misto de alegria e receio, porque nunca se sabe se aquilo não nos dá a volta à tripa outra vez. E pensamos sempre: "tenho de ir com calma, não sou capaz de comer um cheeseburger como se nada tivesse acontecido!". E então começamos a tentar coisas diferentes, comemos um Wrap por exemplo, ou até experimentamos as sopas deles e tudo. Voltar ao mesmo é que não.

E está tudo nas mãos do McDonald's. Se eu chegar a um balcão e perceber que aquele folheto era só conversa fiada (que afinal não posso acrescentar um sundae ao meu menu por apenas 0.59) vou começar a vacilar. Se eu comer um Wrap e ficar mal disposta, vou vacilar. Se eu passar outra noite em sofrimento em que me deito às 5 da manhã e não consigo ir trabalhar no dia seguinte, vou vacilar. Vou começar a pensar "nunca devia ter voltado a comer esta porcaria". E vou acabar por decidir que nunca mais na vida ponho os pés no McDonald's.

Agora... se eu comer uma sopinha e me sentir bem, se passar semanas a experimentar coisas diferentes e boas (como aqueles novos gelados com cones de chocolate), se os empregados me tratarem como deve ser e não se esquecerem de dizer bom dia nem de pôr bolacha no meu sundae, se me derem ofertas promocionais estilo "Vá ao CCB com o Ronald McDonald!!!", então tudo bem. O McDonald's pode acabar por recuperar o seu lugarzinho especial no meu estômago.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

the first flower after the flood


(photo by me)



Tenho escrito vários posts mas depois não chego a publicá-los.
Sobre príncipes e precipícios. Quem sabe um dia.



Quando era miúda vi uns desenhos animados de que nunca mais me esqueci. Contavam a história de uma rapariga nova a quem tinham oferecido um gato bebé. Ela tocava piano (num daqueles pianos de parede, em madeira escura) e ele tinha o hábito de se ir deitar lá em cima, enquanto ela praticava. Ao fim de algum tempo, sempre que ela falhava uma nota, o gatito levantava a cabeça com ar espantado, como se já conhecesse as melodias de cor. Ela parava e recomeçava.

Os anos foram passando, a rapariga tornou-se senhora e o gatinho tornou-se gato. Ela tocava e ele ouvia. E quando o gato estava bem velhote e a senhora percebeu que o fim estava próximo, tocou para ele uma última vez. Sem falhas.

Não sei porquê mas sempre imaginei que aquela senhora era eu e que havia de tocar piano e de ter um gato que me ouvisse. Hoje lembrei-me desta história e de como todos nós procuramos dedicação... na vida, nos outros. A dedicação de uma criança ao piano, a dedicação de um animal ao seu dono. Mas às vezes não funciona assim.


Só quero que a Primavera chegue, dia 21 de Março.

E vou ter um gato.

.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

primeiro estranha-se...


(photo by me)

... depois entranha-se.

Muito se apoquentam os meus pais com o meu interesse repentino pela compra de pares de ténis a seguir a pares de ténis. Até já tenho vergonha de que eles vejam que comprei uns. Sempre que chega uma caixa de cartão com etiquetas do estrangeiro, começo literalmente aos pulinhos no mesmo sítio, como uma criança no dia de Natal. É um facto. E pode ser preocupante para os pais de uma mulher de 26 anos... mas ao menos tenho consciência disso.

Ora, ontem à noite, depois de muito pular no meu quarto quando vi que tinha chegado uma caixa com estes meninos, pus-me a pensar. É certo que foram "os ambientes" que me levaram a "cair" nisto. E que seria muito triste se eu fechasse os olhos a uma série de outras realidades, deixasse de ir ao cinema ou a concertos, para ter dinheiro para a "dose".

Mas há vícios e vícios (e, atenção, eu ainda acho que consigo parar), portanto cabe-me a mim provar que, ainda que os meus pais não compreendam este, estão viciados em algo bastante pior em todos os aspectos: o tabaco.

Porquê? Aqui ficam 5 argumentos.

Ponto 1: Comprar um par de ténis por mês (entre os 70 e os 120 euros, que eu também não abuso muito) pode constituir, em média, um gasto de €95/mês. Comprar um maço de tabaco por dia (a cerca de 3,50 euros cada), constitui em média um gasto de €105/mês. Ténis: 1. Tabaco: 0.

Ponto 2: Os ténis são confortáveis, incentivam a pequenas corridas para apanhar os transportes públicos e contribuem para a saúde dos pés e coluna das pessoas. O tabaco provoca cancro.

Ponto 3: Uns ténis de que gostamos fazem-nos sentir bonitos e são confortáveis, por isso tornam-nos mais sociáveis, permitem-nos dançar mais tempo e melhor (lol), no fundo, facilitam a interacção e podem levar-nos a fazer amigos ou, quem sabe, conhecer a nossa cara-metade. O tabaco? Causa impotência.

Ponto 4: Os ténis são proibidos em certos locais de trabalho. O tabaco reduz a produtividade do trabalhador devido aos famosos "intervalos para o cigarro".

Ponto 5: Ténis? Just do it. Tabaco? Estás a respirar por uma palhinha aos 50 anos.

E mais não digo. Há uns tempos escrevi sobre pessoas que viviam em torno de ténis, cor-de-rosa e doces. E ainda não consigo compreender quem tatua bolos (perdão: cupcakes), gelados e rebuçados na pele, é algo que me ultrapassa, mas pronto. Quanto aos ténis, primeiro estranhei, agora é o que se vê.

Todos os vícios têm os seus perigos, todas as modas têm a sua duração (nota para os pais: isto passa...). a Carrie vibrava com cada par novo de saltos altos, eu ao menos não dou cabo da coluna.

E viv'ós kicks!