terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

coisas a ensinar aos meus filhos #2

Às vezes temos de parar um bocadinho e fazer uma seleção dos nossos amigos. Por mais difícil que seja,  algumas pessoas para as quais pensávamos ser bastante importantes e que eram importantes para nós vão desaparecer da nossa vida. 

Mas é bom fazer isso, às vezes. Porque ninguém deve deixar-se usar. E a partir do momento em que um "amigo" começa a pensar que nós somos descartáveis, só há duas coisas a fazer. 

Primeiro, responder à situação com Amor: tentar perceber o que se passa e, se possível, corrigir condutas e clarificar mal entendidos. Segundo, e apenas quando a primeira falha, ter amor próprio suficiente para separar o trigo do joio - aceitar que há pessoas com menos qualidade neste mundo e dar-lhes um valente chuto no traseiro. Para nunca mais voltarem.

Another one bites the dust.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

coisas boas da vida #1

- ir almoçar com a minha mãe a ver o mar, empanturrar-me à grande e ter boas conversas

- ir jantar a casa de uma amiga nova, empanturrar-me à grande (again) e confirmar que ela é uma pessoa maravilhosa

- estar a 5 dias de receber o ordenado

- o Dexter vai recomeçar, o Bones recomeça hoje, o Walking Dead recomeçou ontem e a season III do Prison Break afinal está a ser espetacular

- tocar piano

- comer chocolates


E é isto. Have a nice day!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

viver a brincar

Disseram-me no outro dia (e isto vindo de alguém que convive diariamente com  pessoas com problemas, com relações e com problemas nas relações) que cada vez mais as pessoas vivem, um bocadinho, a brincar.

Por exemplo, o "viver junto" entre casais de namorados, acontece cada vez mais a brincar. Uma pessoa começa por deixar lá a escova de dentes, um pijama, dois ou três pares de cuecas... e assim vai andando, sem nunca oficializar a mudança. E quando dá por ela, está a viver com o namorado. 

E qual é o mal? perguntam vocês. Ora não teria mal nenhum, não fosse o facto de esses passos importantes, quando não são tornados oficiais (não perante o mundo, mas perante o casal), quando não são afirmados claramente e com todas as letras, levam a que um dos dois possa não se aperceber exatamente do que está a acontecer. 

E às tantas um já sente que está a viver em união de facto e o outro sente que está só a passar uns tempos, a ver se a coisa resulta, numa espécie de férias ou escape da casa dos pais. E às tantas este último tem comportamentos muito pouco próprios de alguém que está a "viver junto", como querer ir passar férias só com os amigalhaços, não fazer ponta de corno em casa, não pagar as contas, não ter opinião sobre "as coisas da casa" ou não ajudar a pagar o mobiliário e afins, entre outros exemplos que me vão chegando. E às tantas as pessoas magoam-se. E às tantas as pessoas perdem oportunidades de serem felizes.

Sim, falei no masculino porque acredito (crucifiquem-me) que os homens são muitíssimo mais imaturos que as mulheres no que toca a relações.

Por isso o melhor, digo eu, será pôr logo as cartas na mesa. Todas as relações têm regras outra coisa que os homens não gostam nada, não têm de ser regras muito rígidas, nem muitas, apenas as necessárias. E o mais importante é que ambos as conheçam bem. Se acham que a vossa escova de dentes está a passar demasiados dias em casa dele, talvez esteja na hora de terem uma conversa conversas sobre "a relação", ah... como os homens as adoram! e clarificar o estado das coisas. Assim ao menos ninguém anda enganado e ninguém anda a brincar. Porque o que está em jogo... são as vossas Vidas.

Boa sorte.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

coisas a ensinar aos meus filhos #1

Todas as nossas ações são motivadas por uma intenção. E todas as nossas intenções são motivadas, sempre, por um sentimento. Se tentarmos compreender o sentimento que está na base de uma ação ou reação, seja ela qual for, vamos encontrar apenas uma de duas alternativas: medo ou amor.

E ao ver o medo ou o amor que motiva determinada ação ou reação, por pior ou melhor que ela nos pareça inicialmente, conseguimos compreendê-la melhor. E, assim, lidar com ela mais facilmente. 

O medo e o amor movem o mundo. Desafio-vos a encontrar uma ação que não tenha sido motivada por um destes sentimentos. 

Ora, mesmo quando o sentimento é o medo, a melhor resposta é, e sempre será, o amor.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

pessoas de qualidade

São cada vez mais difíceis de encontrar. Ou porque se esquecem dos amigos, ou porque só se lembram quando precisam. Ou porque traem os namorados, ou porque andam a ver se engatam quem já está comprometido. Ou porque acrescentam sempre um ponto quando contam um conto e depois contam-no em demasia. Ou porque se estão nas tintas para tudo o que seja política, economia e seja o que for que não lhes diga respeito naquele dia, todos os dias, até ao dia em que acaba por lhes dizer respeito, e mesmo assim não se mexem. Ou porque não fazem aquilo que aconselham, mas depois fazem aquilo que criticam. Ou porque ainda julgo tanto quando tinha prometido a mim mesma parar com isso.

Estou num daqueles dias em que poderia dizer que quanto melhor conheço as pessoas, mais gosto dos animais. Há dias assim. E também eu sou uma pessoa, damn.

Provavelmente este estado de espírito tem a ver com as alterações às leis laborais divulgadas ontem. Comecei a pensar... se a maior força de um país são as pessoas... sim, porque um país é feito de pessoas, e não de dinheiro, nem de interesses, nem de minorias privilegiadas: a alma de um país são os 99% e não os 1%.

Se um país é feito de pessoas, não percebo como é que se pode fazer isto às pessoas. É escrever num papel que elas valem muito pouco, que têm tão pouca qualidade, que podem ser dispostas em pratinhos bonitos para os grandes tubarões virem cá comer. E têm tão pouca qualidade aqueles que escrevem, como aqueles que acatam o que é escrito.

Por isso estamos perante um ciclo vicioso, em que pessoas de fraca qualidade passam atestados de fraca qualidade às pessoas, o que lhes dá novo alento para se manterem quietos e perpetuarem a fraca qualidade.

A coisa repete-se tanto nos círculos públicos como na esfera privada: vejo-o nos políticos e nas pessoas mais próximas de mim. Somos todos matéria de fraca qualidade - intelectual, emocional, moral - mas não faz mal... porque a vida é assim e estamos tão bem assim, todos tão quentinhos, juntinhos, enterrados em lama até ao pescoço.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

como sacudir o diabo das nossas costas

Nada dura. E as coisas que duram são as mais improváveis, aquelas em que ninguém acreditava. E as mais certinhas e controladinhas e perfeitinhas são as que acabam por se desmoronar perante os nossos olhos. Nada dura, não se pode confiar em ninguém e podemos contar com muito poucos. Poucos serão aqueles que não nos julgam por se julgarem melhores.

Feitas as contas ao final do dia, os maus da fita são afinal os cavaleiros-andantes como é que se faz o plural disto? e os românticos ou os irrepreensíveis são aqueles que vão "às meninas" ao sábado à noite.

Num mundo como este, em que as relações são mentiras e até os nossos pais já levaram com o seu ocasional par de cornos, é difícil. Num mundo como este, em que não se pode ver o telejornal para não deprimir, é difícil.

É difícil confiar e acreditar, não só nas pessoas, mas na Vida. É difícil lembrarmo-nos de manter o pensamento positivo. É difícil construir um Eu novo e luminoso quando o nosso Eu ainda tem o diabo às costas. 

Mas não vou desistir... nem pensar.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

o fim da inocência

No outro dia em conversa vim a saber de um livro de um autor português "estilo Margarida Rebelo Pinto" medo, que nunca li, mas que conta a história verídica diz ele de uma jovem que iniciou aos 14 anos (ou seria 12?) a sua vida sexual e a partir daí foi a loucura.

Nessa conversa aprendi o que são Rainbow Parties, nas quais esta jovem (da alta sociedade, com pais ausentes e muito dinheiro disponível) e outras da sua idade participavam. Aprendi que algumas raparigas dessa idade já ameaçavam rapazes da mesma idade com violência, caso eles não cedessem a embarcar em determinadas aventuras sexuais. Aprendi que estas criançolas, que ainda nem barba têm, já se moviam no mundo do álcool, das drogas duras, da promiscuidade e da prostituição.

Foi um bocadinho assustador. Foi como ver o Kids aqui ao lado em Cascais.

Por isso quando li esta notícia sobre as medidas que estão prestes a ser tomadas no Reino Unido, achei bem. Não costumo ser a favor da censura, sob nenhuma forma ou disfarce, mas realmente eu própria sinto que vivemos numa sociedade altamente sexualizada e que há que pôr um bocadinho um travão nisto tudo.

De repente senti-me velha, por pensar "onde é que isto vai parar", mas não, não é isso. A verdade, como diz a notícia, é que as crianças têm direito à sua inocência. Têm o direito a ignorar um mundo que ainda não lhes diz respeito, não contribui para a sua evolução e, pelo contrário, até os pode prejudicar, porque lhes retira tempo e atenção que podem dedicar a atividades mais edificantes.

As crianças não têm de ser bombardeadas com imagens da Rihanna a comer bananas, nem da Kelis a dizer que "o batido dela chama todos os rapazes do bairro". Abominamos a pedofilia, mas admiramos estas mulheres que são, no fundo, role-models para as nossas filhas de 6 aninhos. E achamos graça quando elas, aos 7, já querem usar baton. Estamos a misturar o que não devia estar no mesmo prato, nem no mesmo horário televisivo.

Por isso censurem, sim, empurrem estes conteúdos para depois da meia-noite e, ainda mais importante do que isso, não deixem os meninos ver TV desacompanhados... não vá a coisa tornar-se ainda mais agressiva e eu daqui a uns 10 anos dar de caras com uma surpresa desagradável no quarto dos putos.