quarta-feira, 14 de outubro de 2009

votar na família


Perante os resultados das últimas eleições, o País assistiu com incredulidade à (re)eleição de Isaltino Morais em Oeiras. Mais uma vez, o povo escolheu o criminoso em detrimento do(s) inocente(s) - faz lembrar um bocadinho o que aconteceu a Cristo na cruz. Alguns oeirenses encaram com revolta esta realidade, não se revêem nos resultados e até têm vergonha do seu concelho. Mas a maioria ficou satisfeita...

Porquê?

Essa é a pergunta que muitos colocam, por todo o País. Como é que um dos concelhos com maior qualidade de vida a nível nacional continua a escolher como líder um homem acusado de corrupção? Antes ainda havia a dúvida, ele podia estar inocente, mas agora não. Foi condenado a sete anos de prisão efectiva e só não está já lá dentro porque interpôs recurso.

Os oeirenses são burros? Não. Os oeirenses não têm valores morais? Têm. Então...? Cá vão algumas hipóteses.

Por um lado, os oeirenses estão-se nas tintas. Não se importam de eleger um criminoso, desde que ele mostre resultados. E eles estão à vista, basta dar um passeio pelo concelho: o Parque dos Poetas, o Paredão, os campos de girassóis, as iniciativas para idosos, a vida cultural, o shopping, o SATU (ok, esqueçam este último...). O importante é que o homem fez coisas boas para o concelho... se roubou uns trocos entretanto, who cares? Mas penso que, se o crime fosse outro, os resultados também já não seriam os mesmos.

Por outro lado, os oeirenses desprezam o sistema judicial português. E, de facto, é difícil respeitar o poder judicial quando assistimos à escandaleira que foi/é, por exemplo, o Processo Casa Pia. Isto para não falar no tempo que se perde e dinheiro que se gasta sempre que temos um pequeno problema a resolver. De tal forma que as pessoas preferem engolir sapos do que levar um caso a tribunal ou, sequer, envolver advogados. Ora, se os tribunais não condenam pedófilos e depois dão 7 anos ao Isaltino... eles merecem ser castigados. Como? Cada voto no autarca corrupto é o equivalente a uma cuspidela na cara do juiz.

E finalmente, porque os oeirenses, tal como não acreditam nos tribunais, também não acreditam nos políticos. Corruptos? São todos. E mesmo que seja eleito um novo, cheio de ideias nobres, ele vai acabar por apodrecer, de tanto convívio com as outras maçãs. E isto sem sabermos que irá, sequer, contribuir para o concelho. Então mais vale pôr lá um que já se conhece bem, que é praticamente da família (ou que, em muitos casos, é o patrão de vários familiares nossos) e que se tem a certeza de que fará alguma coisa...




... será?


1 comentário:

joana padrel disse...

Roubar uns trocos, who cares? Cá eu importo-me e o ideal seria viver num mundo bem longe disso. Acho que muitos oeirenses foram mais práticos que éticos, e entre um al capone completo e um robin dos bosques que fica com algum para ele, preferiram o robin dos bosques que aplica alguma coisa do que eles próprios pagam, em benefícios para todos.