quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

o fim da inocência

No outro dia em conversa vim a saber de um livro de um autor português "estilo Margarida Rebelo Pinto" medo, que nunca li, mas que conta a história verídica diz ele de uma jovem que iniciou aos 14 anos (ou seria 12?) a sua vida sexual e a partir daí foi a loucura.

Nessa conversa aprendi o que são Rainbow Parties, nas quais esta jovem (da alta sociedade, com pais ausentes e muito dinheiro disponível) e outras da sua idade participavam. Aprendi que algumas raparigas dessa idade já ameaçavam rapazes da mesma idade com violência, caso eles não cedessem a embarcar em determinadas aventuras sexuais. Aprendi que estas criançolas, que ainda nem barba têm, já se moviam no mundo do álcool, das drogas duras, da promiscuidade e da prostituição.

Foi um bocadinho assustador. Foi como ver o Kids aqui ao lado em Cascais.

Por isso quando li esta notícia sobre as medidas que estão prestes a ser tomadas no Reino Unido, achei bem. Não costumo ser a favor da censura, sob nenhuma forma ou disfarce, mas realmente eu própria sinto que vivemos numa sociedade altamente sexualizada e que há que pôr um bocadinho um travão nisto tudo.

De repente senti-me velha, por pensar "onde é que isto vai parar", mas não, não é isso. A verdade, como diz a notícia, é que as crianças têm direito à sua inocência. Têm o direito a ignorar um mundo que ainda não lhes diz respeito, não contribui para a sua evolução e, pelo contrário, até os pode prejudicar, porque lhes retira tempo e atenção que podem dedicar a atividades mais edificantes.

As crianças não têm de ser bombardeadas com imagens da Rihanna a comer bananas, nem da Kelis a dizer que "o batido dela chama todos os rapazes do bairro". Abominamos a pedofilia, mas admiramos estas mulheres que são, no fundo, role-models para as nossas filhas de 6 aninhos. E achamos graça quando elas, aos 7, já querem usar baton. Estamos a misturar o que não devia estar no mesmo prato, nem no mesmo horário televisivo.

Por isso censurem, sim, empurrem estes conteúdos para depois da meia-noite e, ainda mais importante do que isso, não deixem os meninos ver TV desacompanhados... não vá a coisa tornar-se ainda mais agressiva e eu daqui a uns 10 anos dar de caras com uma surpresa desagradável no quarto dos putos.

4 comentários:

Anónimo disse...

500% de acordo!
É,a democracia contem o efeito perverso que lhe será fatal, de permitir liberdade de expressão a todos e a tudo,mesmo ás ameaças mais perigosas.A sexualização excessiva e abusiva nos media é intolerável,não sei se se resolve com a censura,mas que é preciso tomar medidas,não duvido.A fórmula mais adequada,não repressiva,seria a de os media se auto regularem,criarem um código ético e moral,com limites precisos ao que seria publicável.A educação em casa e na escola é a pedra de toque disto tudo,muitos pais deixaram-se idiotizar pela modernidade e pelo relativismo,são os mordenaços que consideram que tudo é possível,e a escola adoptou a mesma filosofia,com as consequências que se sabe,quebra brutal na autoridade e na influência junto dos jovens,degradação sistémica.Actualmente,talvez seja preciso conter o abuso generalizado do apelo e sugestão ao sexo através da censura,não sei insisto,mas que é preciso restaurar em certa medida e inovar,reinventar fórmulas educativas que implementem a responsabilidade na acção e nas escolhas pessoais,julgo inquestionável.

Urso branco

joana padrel disse...

Dificil tem sido percorrer os caminhos daliberdade sem excessos.Passar da repressão hipócrita, fomentada por códigos religiosos e não só, a uma sexualidade inteligente e livre teria exigido maior discussão , sobre quem somos nós, os humanos, e o que entendemos por "ser feliz". O marketing, mais do que a democracia , não ajuda. Talvez a filosofia e a biologia, mas isso vende?

Anónimo disse...

Concordo, e sinto a mesma preocupação. Mas tenho algo a acrescentar...
O que vemos chega a nós porque o vemos. Isto é, o que passa na Televisão e na Rádio, passa porque tem audiências e por isso rende em publicidade. Se não consumirmos esses programas, estes com o tempo deixam de ser lucrativos e são substituídos.
Quanto a mim essa censura deve partir em primeiro lugar da família - por isso é que andávamos sempre chateados com os nossos pais quando éramos pequenos, porque não nos deixavam ver o que queríamos. They knew better...

Claro que a comunidade (incluindo os media) também deve ter parte da responsabilidade, mas não se deve ceder essa responsabilidade completamente a outros quando ela é nossa, especialmente quando temos politicas capitalistas.

Como conta essa história, a jovem da alta sociedade tem pais ausentes.
Hoje em dia é muito fácil deixar uma criança em frente à TV para não "chatear". Se lhes arranjarmos algo melhor para fazer, ou passarmos mais tempo com elas, se calhar já não passam tanto tempo a ver coisas que não deviam.
E já não os consumirem, esses conteúdos acabam por desaparecer...

chinfrim disse...

Hmm.. acho um pouco utópico que estes conteúdos desapareçam naturalmente, a não ser que voltássemos à idade média. O ser humano tem evoluído no sentido de uma maior liberdade (de expressão e de experimentação) na procura do prazer, que se tornou um valor absoluto. Não apenas o prazer físico, mas a satisfação de necessidades pessoais - vivemos o culto do indivíduo, de fazer o que se gosta, em vez do sacrifício imposto pelas sociedades em que a religião ainda dominava... por um lado ainda bem, mas há o lado negro da coisa. Portanto custa-me a crer que conteúdos como estes desapareçam naturalmente... porque haverá sempre (e cada vez mais) público para isso. Fora isso, concordo com o teu comentário, Anonimo :)